terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Amores de verão

Eu com esse laptop no colo num calor desgraçado aqui na praia...
Ó, dia 8 foi meu aniversário e vou contar uma pequena tragédia com final feliz...
Ganhei a sapatilha carnaval dourada da osklen, vide ai fia:
















Eu passei minha vida toda atras de sapatilhas que nao machucassem meu pé. Eu tenho pele de rã nos pés e me machuco muito fácil. Quem tem o pé magrelão deve saber como é provar sapatilha a vida inteira e ficar com o pé sambando no calçado.

Eu me arrisquei a comprar desse jeito mesmo algumas sapatilhas - achando que se eu usasse meu pé um dia calejava ou que a desgraçinha da sapatilha ia amaciar...
Só que nunca é assim... ai eu tinha decretado fim a busca por sapatilhas
.
Tentava usar as que eu tinha... ia pra faculdade (é tipo uma fantasia minha usar sapatilha no dia-a-dia, na faculdade...) e na hora do almoço ja estava com 3 machucados diferentes.

Tá, ai vendi e dei as que eu tinha.
Um belo dia ganho essa coisa mais linda da osklen, aprovo e abenço o ex-médico mega talento do design que conseguiu se tocar que aumentando a altura do calcanhar na sapatilha, ele finalmente faria uma sapatilha de cinderela, digna de contos de fada e coisa e tal...

O problema é que o dito cujo inventou um couro sintetico (lindamente ecologico, pessimamente resistente) que nao resistiu 3 horas no meu pé em atividades normais. Cheguei em casa com ela nos pes. Tinha saido da loja com ela. Peguei nas mãos pra namorar e SUSTO, desilusão e tristeza no mesmo dia da compra, no meu lindo aniversario, com o presente do meu amado... Uma lasca de uns 4 cm de comprimento por 2 de cm na lateral... fala sério...
Talvez tenha sido mal uso... talvez má qualidade...o fato é que eu tava perdidamente apaixonada por ela. Não so por ela, pelas irmãs de outra cor também (rosa e prata)  - eu fiquei com agua na boca pra ter todas. Afinal, eu peregrinei uma vida atras de um modelo confortável.

Dia seguinte vou à loja e mando pra tal da analise - que decidirá se ela pode ou nao ser trocada. Me separaram do meu amor por 45 dias. A resposta, se for de troca, será tarde demais pra eu trocar por outra da mesma espécie.

O detalhe é que no mesmo dia eu tinha um voo pra campinas as 18 horas. Eu queria outra e fui atras dela. Liguei pras lojas que eu tinha contatos pra comprarem pra mim...Sao paulo, rio, campinas, goiania, outra loja de bsb.... Descobri uma prateada em campinas.

Na tarde do dia seguinte em campinas fui ao iguatemi e levei nao so a prateada como a rosa tambem. De quebra pedi pra comprarem outra dourada no brasilia shopping (ultimo lugar que tinha).
Tenho as 3 agora. Preciso trata-las como um bibelô mas acho que eu consigo.

Se eu nao conseguir a troca depois da analise da sapatilha original, vou usar essa no dia-a-dia com bem menos paparico...

E pronto... acredito que nao foi uma compulsao, apesar de parecer.

Eu meditei um bocado o assunto e quando ja estava quase convencida ocorreu o golpe final: Visitar o avo do meu amado, que esta em coma a 3 meses num hospital e, pelo lugar do derrame, de lá ele nao volta.
Lembrar dele como um velhinho amado, gente boa, falante, alto astral e totalmente autonomo e comparar com a verdadeira visão de um morto-vivo me fez ter muito apreço pela minha vida, minha juventude. Chorei descontroladamente, daqueles choros que sobem la de dentro e inundam, simplismente inundam. E eu posso e devo viver e pagar os prazeres da vida sem peso na consciencia. Adornar a minha beleza enquanto ela ainda é jovem.

É libertador poder exercer suas escolhas de consumo com sabedoria e reflexão, sabendo que essa autoindulgencia aparente representa na verdade um desapego ao preço, ao aspecto material em si e uma valorização do joie de vivre, ao carpe diem.

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